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27/08/2008 | 10:16  
Lixo e cidadania
Site Envolverde, 15/08/2008
Por José Vicente Pimenta*
O problema do lixo nos grandes centros urbanos tem se tornado cada vez mais intangível e polêmico em todo o mundo, já que envolve desde a saúde pública ao consumo responsável. Em São Paulo não é diferente. A maior metrópole do país produz 14 mil toneladas diariamente e pouquíssimo dessa montanha de lixo é reciclado. É claro que a reciclagem é apenas uma de tantas outras soluções para o problema.

Com a intenção de contribuir nas discussões entre comunidades, poder público e iniciativa privada sobre a questão dos aterros sanitários na zona Leste de São Paulo, nós criamos em julho de 2007 a campanha "Mais vida, menos lixo", durante a 3ª Caminhada ao Morro do Cruzeiro, organizada pela Pastoral da Ecologia da Arquidiocese de São Paulo, com o apoio da ONG Defensoria da Água. Na época, além de não querermos mais lixo no aterro (que já estava com sua capacidade esgotada), estávamos determinados a impedir a destruição de um milhão e duzentos mil metros quadrados de Mata Atlântica para a construção do maior lixão do mundo.

Desde então, a campanha - que envolve entidades, comunidades e escolas - descobriu irregularidades e denunciou ao Ministério Público a existência de muitos crimes ambientais e problemas no processo de licenciamento que tramita na Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Com base nessas informações, a justiça determinou a suspensão do processo por tempo indeterminado (porém, recentemente, o aterro de São Mateus foi aberto e receberá lixo por mais 11 meses).

Além de denunciar os crimes ambientais, a campanha reuniu semanalmente um grupo de ambientalistas para estudar o assunto e responder à pergunta que mais ouvimos no último ano: "O que fazer com todo o lixo produzido na cidade de São Paulo?". Da campanha e de tantas indagações, criamos a cartilha "Mais vida, menos lixo", resultante desse estudo, que será lançada no dia 19 de agosto, na Bienal do Livro. Ela contém um pouco da história do lixo na cidade, uma sinopse das principais leis de proteção ambiental, orientações práticas para que o cidadão defenda com eficiência os interesses difusos da coletividade e propostas consistentes para municípios de qualquer tamanho construírem um plano diretor de gerenciamento de resíduos sólidos. Seu conteúdo textual não tem reservas de direitos, pode e deve ser reproduzido livremente por qualquer meio. O importante é multiplicar o debate.

Ao longo dessa campanha aprendemos que o mais importante é construir com a comunidade uma aliança. Aliança no sentido de parceria, solidariedade e troca de informações para que garantir nossos direitos de cidadãos. Investimento em educação e, conseqüentemente, em consciência ambiental, deve ser um dos projetos a entrar nas pautas de todos os candidatos. O problema do lixo deve ser levado ao centro do debate eleitoral na cidade. Esta é a hora de fazer cobranças a cada um dos candidatos.

José Vicente Pimenta é teólogo, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Editoras de Livros do Estado de São Paulo e coordenador da Campanha "Mais vida, menos lixo".

(Envolverde/Assessoria)
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25/08/2008 | 00:21  
Pecuaristas lançam manifesto pedindo menos terra para índios
Site Tribuna da Imprensa online, 24/08/2008

SÃO PAULO - A Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), a maior entidade brasileira no setor de pecuária, com 17 mil associados, decidiu lançar uma campanha contra a atual política de demarcação de terras indígenas. O primeiro passo foi a divulgação de um manifesto no qual afirma que essa política ameaça o sistema produtivo e cria uma situação de insegurança jurídica para milhares de produtores, grandes ou pequenos.

"Enganam-se aqueles que vêem a demarcação das terras indígenas como uma questão distante, que ocorre em regiões remotas e pouco habitadas e atinge apenas grandes propriedades", diz o texto. "Prevalece na Fundação Nacional do Índio (Funai) uma interpretação do artigo 231 da Constituição que torna grande parte do território nacional suscetível à demarcação como terra indígena."
A reação da ABCZ foi provocada por uma série de seis portarias da Funai, publicadas em julho no "Diário Oficial da União". Elas constituem o ponto de partida de um processo de identificação e delimitação de terras tradicionalmente ocupadas pelos Guarani em Mato Grosso do Sul - o Estado com o segundo maior rebanho bovino do País. O objetivo é ampliar as áreas ocupadas atualmente por esse grupo indígena.
Ainda não se sabe qual o volume de terras que pode ser destinado aos Guarani. Mas, segundo o presidente da ABCZ, José Olavo Borges Gomes, é alarmante o fato de a Operação englobar 26 municípios. "É uma área correspondente a um terço do território sul-matogrossense", diz ele. "Isso paira como uma ameaça sobre a cabeça de milhares de produtores, que compraram as terras e têm escrituras definitivas."
O objetivo da ABCZ, segundo seu presidente, é mobilizar a bancada ruralista no Congresso e despertar a atenção da sociedade. "Atualmente, é a Funai que resolve tudo, por meio de portarias. É preciso que esse tipo de discussão seja estendida à esfera parlamentar e a outros setores. Os produtores nunca são ouvidos, o que é uma insensatez no momento em que tanto se fala na importância da produção de alimentos.
"O manifesto cita o conflito na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, e presta solidariedade às autoridades do Estado que estão tentando reverter o processo de demarcação em área contínua para demarcação em ilhas. Procurada, a Funai não se manifestou. Sabe-se que a situação dos Guarani de Mato Grosso do Sul é uma das mais graves. Segundo antropólogos, eles foram confinados em áreas pequenas e em forma de ilhas, como querem os arrozeiros e o governo do Estado em Roraima - e isso estaria na raiz dos problemas de violência, desnutrição e altas taxas de suicídio que enfrentam.
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25/08/2008 | 00:19  
Bispo ganha prêmio internacional
TRIBUNA DA IMPRENSA ON LINE

Com a premiação de dom Cappio, a transposição do
São Francisco será colocada em pauta mais uma vez

Com a premiação de dom Cappio, a transposição do São Francisco será colocada em pauta mais uma vez

BRASÍLIA - O movimento contrário à transposição do rio São Francisco ganhou nova força com a decisão da Pax Christi Internacional, organização católica com sede na Bélgica, de conceder o Prêmio da Paz de 2008 a dom Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra, na Bahia. A solenidade de entrega do prêmio deverá ser feita em Sobradinho (BA), no próximo dia 18 de outubro, durante a Romaria das Águas, numa grande manifestação contra o projeto de transposição.
O secretário da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Antonio Canuto, entidade que participa da Pax Christi Internacional e da organização da manifestação, disse ontem que a entrega do prêmio a dom Cappio "vai colocar em pauta novamente a transposição do São Francisco". Segundo ele, dom Cappio só aceitou receber o prêmio como uma manifestação de apoio e reconhecimento a todos que lutam contra o projeto.
Canuto informou também que esta é a primeira vez que a Pax Christi Internacional fará a entrega do prêmio no país do agraciado. A Pax Christi International é uma organização católica não-governamental e sem fins lucrativos, que iniciou seus trabalhos em 1945, com o objetivo de promover a conciliação dos povos depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje, ela conta com mais de 100 entidades filiadas e está presente em 50 países, nos cinco continentes.
O brasileiro Sergio Vieira de Mello, representante especial da ONU no Iraque e assassinado em ato terrorista, ganhou o prêmio em 2004. Dom Cappio fez duas greves de fome contra a transposição do rio São Francisco. A primeira, em 2005; a segunda, que durou 24 dias, em 2007. Em entrevista ontem por telefone, dom Cappio ressaltou a mensagem política que a Pax Christi Internacional quis dar ao lhe conceder a premiação.
"O prêmio é uma crítica contundente ao projeto absurdo da transposição", disse. "A Pax Christi está valorizando quem luta pela vida, pelos direitos humanos e pelo meio ambiente". Para dom Cappio, no Brasil, as questões ambientais não são reconhecidas e nem valorizadas. As obras da transposição do rio São Francisco para as bacias hidrográficas do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do agreste de Pernambuco já começaram e estão em ritmo acelerado.
Os primeiros canais dos eixos Norte e Leste estão sendo abertos por dois batalhões de engenharia e construção do Exército, que também realizam as obras das barragens de Tucutu e Areia. A maior parte das obras, no entanto, será realizada por empresas privadas. Um consórcio já começou os trabalhos em um canal no eixo Norte. Quase todos os trechos da obra já foram licitados. Na próxima semana, o presidente Lula poderá visitar as obras. Dom Cappio questiona a destinação das águas que serão transpostas, ou seja, a quem elas irão beneficiar.
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25/08/2008 | 00:15  
Vôlei feminino conquista o seu primeiro ouro
Site Tribuna da Imprensa online, 24/08/2008

PEQUIM - Com uma apresentação de gala, a seleção brasileira feminina de vôlei conquistou neste sábado a sua primeira medalha de ouro olímpica. Na final, quando perdeu seu único set em oito jogos disputados na Olimpíada de Pequim, o Brasil derrotou os Estados Unidos por 3 sets a 1, com parciais de 25/15, 18/25, 25/13 e 25/21, e ficou com o título.

Até então, o vôlei feminino do Brasil só tinha conseguido duas medalhas de bronze, nos Jogos de Atlanta/96 e Sydney/2000. O ouro em Pequim também acaba com o trauma dessa seleção, que perdeu um pódio que parecia certo na Olimpíada de Atenas, em 2004, quando ficou com o bronze.
Comandada pelo técnico José Roberto Guimarães, que já foi campeão olímpico com a seleção masculina de vôlei nos Jogos de Barcelona/92, a equipe do Brasil brilhou em Pequim, com jogadoras como Fofão, Mari, Sheilla, Paula Pequeno, entre outras Foram oito vitórias seguidas, sobre Argélia, Rússia, Sérvia, Casaquistão, Itália, Japão, China e Estados Unidos.
O vôlei feminino deu o terceiro ouro para o Brasil na Olimpíada de Pequim - os outros dois vieram com Maurren Maggi, no atletismo, e César Cielo, na natação. Agora, já são 14 medalhas brasileiras: três de ouro, três de prata e oito de bronze.
Quatro anos depois da tão falada derrota para a Rússia na semifinal de Atenas, as brasileiras entraram em quadra com amplo favoritismo. As norte-americanas chegaram à final com o moral elevado por causa da surpreendente vitória sobre Cuba por 3 a 0, na quinta-feira. "É o jogo de nossas vidas", comentou Paula Pequeno. Ela tinha razão. Pela primeira vez em Olimpíadas, a seleção feminina teve a chance de brigar pelo ouro.
E qual o segredo de um time imbatível? "Muito trabalho" é o discurso pronto das meninas. Mas, além da força tática do time e do talento das atletas, há uma questão fundamental: a união do grupo. Poucas vezes o elenco de uma seleção teve relacionamento tão bom como o do vôlei feminino do Brasil.
As jogadoras brincam o tempo todo, se abraçam a cada ponto e não reclamam quando a colega erra. Só assim podem suportar uma rotina pesada de treinos e a distância da família sem cair de rendimento. Algo que não se vê tanto na seleção masculina.
"Estamos muito concentradas. Nossa rotina é treinar e treinar, não temos nenhum tempo para diversão", contou a líbero Fabi. Mas é preciso de um pouco de descontração. As encarregadas de animar o ambiente são a própria Fabi e Paula Pequeno. "A Paula é palhaça, ela faz imitações, conta piadas, mexe com todo mundo", revelou a levantadora Fofão. "Ela faz bem para o grupo."
A principal missão de Zé Roberto depois da derrota em Atenas/2004 foi justamente recuperar o astral e a confiança do elenco. "Caso contrário, não conseguiria montar uma equipe tão forte", afirmou. E o último passo para a glória foi dado hoje. Agora é muita festa.
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25/08/2008 | 00:15  
Mudança na área do desmatamento
Site Congresso em foco, 24/08/2008
Frente parlamentar quer mudar legislação para que reserva legal mínima seja estabelecida por estado, e não mais por propriedade

 

Renata Camargo

Após o acordo sinalizado ontem (20) entre ruralistas e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para modificar o decreto de crimes ambientais (Decreto 6.514/08), parlamentares ruralistas articulam dar mais um passo para alterar a legislação ambiental. Deputados e senadores ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária pretendem modificar os limites e regras da reserva legal. A idéia foi lançada pelo presidente da frente, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).
De acordo com a proposta, que ainda não foi oficializada, a reserva legal se estabelecerá por estado e não mais por propriedade, como prevêem hoje o Código Florestal e a Lei 7.803/89. Pela atual legislação, cada propriedade rural deve ter uma reserva legal mínima. Na região da Amazônia Legal esse percentual é de 80%, no cerrado de 35% e nas regiões Sul e Sudeste, de 20%.
"Se na Amazônia, por exemplo, tem que se preservar 80%, que isso seja em todo o território. Mas não em cada propriedade. Se no único pedaço que você poderia plantar está a reserva legal, acabou, você não pode plantar nada. Nesse caso, entrega logo a propriedade para o governo. Eu não vou ficar lá pagando imposto, correndo risco ambiental e sem condições de explorar minha propriedade", se exalta Colatto.
A reserva legal é a área da propriedade rural em que não é permitido o desmatamento (corte raso de madeira), mas que pode ser objeto de uso sustentável, ou seja, para a exploração do ambiente desde que haja preservação dos recursos e da biodiversidade.
A revisão dos limites destinados a essa reserva passou a preocupar ainda mais o setor da agropecuária a partir da vigência do decreto de crimes ambientais, sancionado no final de julho. Com o decreto que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais, a aplicação de multas passou a ser mais severa e o prazo para cumprimento da legislação foi estipulado em 180 dias.
Segundo Colatto, somente no estado do Paraná, o cumprimento de 20% de reserva legal por propriedade estaria causando perda anual de R$ 51 bilhões para o setor agropecuário. Os prejuízos seriam em conseqüência do que se deixa de produzir e da manutenção das reservas, com o reflorestamento. "Se implantar o que o decreto diz hoje, você reduz no mínimo 30% da produção nacional", considera.
Inexeqüível
Sob forte pressão do setor agropecuário, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, decidiu rever alguns pontos do decreto (leia mais). Estava prevista para ontem à noite uma reunião do ministro com parlamentares da frente ruralista e secretários de Agricultura de vários estados para definir as mudanças.
Ainda que o decreto trate também da reserva legal, a revisão dos limites dessas áreas deverá ganhar um capítulo à parte no Congresso. Na avaliação do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), a criação de reserva legal nas propriedades é importante para a preservação ambiental. Mas a lei atual, avalia o peemedebista, é "inexeqüível". "Temos que fazer uma escolha. Como está hoje, parece, por exemplo, que ou o Brasil acaba com o seu projeto de produção de etanol ou planta florestas", critica.
O parlamentar cita o exemplo do estado de São Paulo. Segundo Loures, para cumprir a legislação vigente, o estado teria que extinguir todo o espaço utilizado para a plantação de cana-de-açúcar. "A lei não considera o espaço físico real de cada estado brasileiro. Parte da premissa de que o país é igual", afirma Loures, que classificou o decreto de crimes ambientais como "infeliz".
Responsabilidade
A discussão sobre mudanças nos limites e regras da reserva legal, como defende Valdir Colatto, é contestada por ambientalistas. O diretor da organização não-governamental SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, afirma que é preciso analisar melhor a proposta. Para ele, o Estado não pode ser considerado o responsável pela reserva legal. "Está parecendo uma transferência de responsabilidade. Se passar para o Estado o dever de cumprir a reserva legal, eu não concordo", defende.
Segundo Mantovani, 93% da mata atlântica já foram desmatados. Desse total, completa, apenas 40% abrigam alguma atividade econômica na área. "O resto está abandonado. Não tem produtividade nenhuma. Serviriam para fazer compensações. Servem para ser áreas de reservas", afirma.
Na audiência pública realizada ontem, Carlos Minc concordou em revisar a legislação no que diz respeito à reserva legal. A proposta, entretanto, é estabelecer uma política de compensação entre as propriedades e negociar áreas de preservação em outros lugares.
"Um agricultor tem 40% de sua área preservada e o outro não tem nada. Eles fazem um acerto e cada um fica responsável por 20% dessa reserva", exemplificou. "Há também a possibilidade de fazer essa reserva fora até da microbacia ou em áreas públicas", completou. Segundo Minc, o acordo ainda será estudado com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
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25/08/2008 | 00:14  
Lula sanciona lei que torna música aula obrigatória
Site Folha online, 22/08/2008
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem projeto de lei, aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados, que torna obrigatório o ensino de música dentro da área de artes em todas as escolas do país.
A Casa Civil informou que Lula vetou o artigo que previa que os professores tivessem formação específica na área. O texto da lei deve ser publicado na edição de hoje do "Diário Oficial" da União.
O Ministério da Educação tem posicionamento favorável à proposta, segundo Marcelo Soares Pereira da Silva, diretor de Concepções e Orientações Curriculares para a Educação Básica da pasta.
De acordo com Silva, a lei vale para os ensinos fundamental e médio, mas as definições sobre em quantos anos o ensino de música será ministrado e com que periodicidade vão caber aos conselhos estaduais e municipais de Educação, em parceria com os governos locais.
Proposta pela senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), a obrigatoriedade do ensino de música foi defendida por artistas como Francis Hime e Daniela Mercury, em audiência com o ministro Fernando Haddad (Educação).
"A música é estratégica para o desenvolvimento da sociabilidade e tem uma enorme força de transdisciplinaridade", diz o compositor Felipe Radicetti. Ele cita estudos que mostram que o ensino de música tem impacto no aprendizado de disciplinas como matemática.
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25/08/2008 | 00:13  
Só 1% dos municípios atingem nota de países desenvolvidos
Site Folha online, 22/08/2008
Apesar de a maioria das escolas e municípios brasileiros terem cumprido suas metas de melhoria para 2007, os dados do Ideb divulgados ontem mostram que, na 4ª série, só 739 escolas (2% do total) e 54 municípios (1%) já atingiram ou superaram a média 6.
Numa escala de zero a dez, esse é o patamar que se espera que todo o país alcance até 2021. Na 8ª série, onde a meta até 2021 é de 5,5, o número de escolas ou cidades que já chegaram ao nível projetado é menor ainda: 189 escolas (0,7% do total) e sete cidades.
Cada escola ou município, no entanto, tem sua própria meta até 2021, com estágios parciais acompanhados a cada dois anos. Isso significa que mesmo as escolas ou cidades que hoje já estão acima da média também têm que melhorar.
Em 2007, atingiram a meta parcial neste segundo ano de monitoramento 81% dos municípios na 4ª série e 73% das cidades na 8ª série. Das escolas, 70% cumpriram as metas parciais na 4ª série, percentual que cai para 61% na 8ª série.
Nesta segunda fase de divulgação do Ideb (na semana passada, o MEC disponibilizou dados de Estados e regiões somente), foi possível também comparar o desempenho da rede pública com a privada. Em todos os níveis de ensino, as particulares vão melhor.
Na 4ª série, o Ideb delas é de 6, ante 4,2 da rede pública. Na 8ª, os índices são, respectivamente, de 5,8 e 3,5. No ensino médio, ficam em 5,6 e 3,2.
No caso das particulares, não há informação para cada escola porque elas participam da avaliação do MEC apenas com uma amostra de estudantes.
Para o pesquisador Naércio Menezes Filho, do Ibmec-SP e da USP, as metas parciais para 2007 foram atingidas com facilidade porque foram fixadas em níveis mais baixos para os primeiros anos. Ele não nega, no entanto, que esteja havendo melhoria, especialmente no ensino fundamental.
"O que mais explica o desempenho dos alunos é a educação dos pais, especialmente da mãe. De uma geração de mães para outra, verificamos uma melhoria na escolaridade. Isso se reflete no desempenho dos alunos, mas, no futuro, esse efeito diminuirá, e os indicadores de educação só continuarão a melhorar se houver mudança na gestão do sistema."
Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, diz que as metas foram propositadamente mais baixas porque o MEC considerou que a atual geração de alunos já estava na escola quando foram feitos os pactos de melhoria. Ele diz que as metas ficam mais rígidas a cada ano.
As metas do Brasil para 2021 são as médias já atingidas pelos países desenvolvidos.
Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, isso não significa que, daqui a 13 anos, o Brasil continuará defasado, porque a evolução do país deverá ser mais rápida do que a dos que estão no topo.
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25/08/2008 | 00:13  
Um olhar sobre as muitas Amazônias
Site envolverde, 21/08/2008
Por Adalberto Wodianer Marcondes, da Envolverde
Nas barrancas do rio Tapajós vivem diversas comunidades que estão na região desde tempos imemoriais. O mesmo acontece em cada beira de rio na Amazônia. A região tem 23 milhões de habitantes. Relativamente pouco se comparado com os mais de 150 milhões do restante do Brasil, e levando-se em conta que a região que detém a maior floresta tropical do mundo representa 53% do território brasileiro. As dimensões ficam ainda mais complexas se as contas incluírem as Amazônias do Peru, do Equador, da Colômbia, da Venezuela e das Guianas. Assim o Brasil fica com apenas 50% de todas as Amazônias, o que significa 52 milhões de quilômetros quadrados. A Pan-Amazônia chaga a mais de 100 milhões de quilômetros quadrados. O uso do plural - Amazônias - é justificável não apenas por uma questão de geografia política e fronteiras nacionais, mas porque as Amazônias têm, também, economias distintas, culturas múltiplas e fatores socioambientais dos mais diversos.

O desafio de olhar para a Amazônia é, também, a vontade de se despir de preconceitos e ideologias para poder perceber as nuances de cada comunidade, cada modelos econômico e cada modo de vida. Compreender que a região precisa se desenvolver sem maniqueísmos e que a floresta e a biodiversidade de cada Estado pode se trabalhada de forma sustentável de acordo com a cultura local. No Sul/Sudeste as pessoas têm a verdadeira noção das diferenças culturais, políticas e ambientais existentes entre gaúchos e mineiros, entre paulistas e cariocas, entre baianos e goianos. No entanto, quando se trata de Amazônia a tendência é considerar, de longe, que tudo é parte de uma única cultura, de um ecossistema monolítico e de um modo de vida igual.

Não, as muitas Amazônias são diferentes em quase tudo. Mesmo a floresta, com sua onipresença, têm nuances que o povo local conhece bem. Tem bichos e plantas que preferem estar aqui ou ali. A economia varia de acordo com a região. As fronteiras são empurradas de forma diferente e mesmo o desmatamento tem vetores distintos. Em ul lugar é o gado, em outro a madeira. Outro ainda é a soja, e muitos outros estão aguardando sua vez, como estradas e represas. A biodiversidade da região é feita por 425 espécies de mamíferos, 1.300 de aves, 427 de anfíbios e 371 de répteis, além de mais de 3 mil espécies de peixes e 40 mil espécies de plantas. Têm rios de água preta (Negro), água branca (Solimões) e águas claras (Tapajós). Tem 200 mil índios, divididos em 220 povos e que falam 180 línguas.

Entres os grandes problemas da Amazônia está o desmatamento, o uso insustentável de seus recursos naturais, a ocupação desordenada do território, a falta de regularização fundiária e uma imensa ladainha de mazelas. Mas, para resolver todas elas, o Brasil precisa encarar de frente a maior delas: o preconceito e o desconhecimento das realidades das Amazônias. Ninguém gosta do que não conhece e o preconceito prospera na ignorância. Os olhos do mundo estão voltados para a Amazônia brasileira e o Brasil precisa oferecer respostas para formulação de política públicas de desenvolvimento sustentável para a região.

Os desafios da mídia

Para que a sociedade brasileira comece a formular novas propostas e alternativas para a Amazônia é necessário que a conheça em profundidade e não apenas quando saem os índices de desmatamento ou surge alguns escândalo. A maior parte dos jornalistas que atua nos grandes jornais do eixo Rio/SP/Brasília nunca esteve na Amazônia de fato. Alguns foram a Manaus ou a Belém, cidades cosmopolitas que pouco ou nada têm de contato real com a floresta. Cobrir as Amazônias é caro, argumentam com razão editores de todo o Brasil. Uma viagem à região exige recursos escassos nas redações: tempo, dinheiro e jornalistas preparados para o trabalho de reportagem na região.

No entanto, a Amazônia é a grande pauta global. É ela que define a presença do Brasil na mídia internacional, não os sonhos e realizações de empresários, pesquisadores e políticos que vivem e trabalham próximos ao trópico de Câncer. Nas grandes mídias globais os indicadores e números da região ganham destaque em textos de reportagens, análises e fartos infográficos. Também ONGs brasileiras e internacionais mantém bases na região, com trabalhos em todas as vertentes. Esta presença internacional é vista com certa xenofobia por quem não conhece e não sabe o que acontece na linha do Equador. Uma xenofobia que chega a atingir inclusive brasileiros tradicionais, como as populações indígenas e quilombolas. Eles têm direitos ancestrais que são reconhecidos pela Constituição do Brasil, mas recebem ataque de pessoas que não têm a autoridade, o conhecimento ou o caráter necessário para opinar

Cabe à mídia, ou melhor, aos jornalistas, uma vez que a própria mídia passa por um processo de reconstrução baseado nas inovações da TV digital e na internet, estar preparados para deitar um olhar maduro e isento de preconceitos sobre uma das regiões mais ricas, biodiversa e vital para o Brasil e para o equilíbrio ambiental global. A busca por modelos de desenvolvimento baseados em princípio de sustentabilidade precisa do apoio de profissionais de imprensa capazes de relatar boas práticas e não apenas oferecer denúncias. O jornalismo necessário para estes novos tempos tem de carregar a inovação das boas notícias sem deixar de manter a vigilância cidadã sobre os desmandos e crimes cometidos em uma região onde o Estado é notado por sua ausência.

O exercício deste novo jornalismo é o desafio de uma geração de brasileiros que está vendo o planeta ficar pequeno o Brasil crescer. Um jornalismo que olha diferente e projeta para um tempo de grandes transformações ambientais, éticas e políticas. Será o jornalismo que vai mostrar como estão sendo construídos os caminhos para que a humanidade e o Brasil superem entraves de uma profunda mudança de paradigmas econômicos e sociais. E a Amazônia é um dos importantes campos deste jornalismo. O Brasil precisa conhecer a Amazônia e a mídia tem um papel estrutural nesta tarefa. (Envolverde)

(Agência Envolverde)
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