A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, apresentou ontem na capital paulista as diretrizes para seu plano de governo caso seja eleita. Elas estarão disponíveis a partir de hoje no site de sua campanha para que os eleitores interessados possam sugerir alterações. O programa final deverá ser apresentado apenas no início de setembro. A candidata elegeu a educação integral como o principal ponto de seu programa.
A primeira versão das diretrizes do plano de governo do PV foi apresentada em 10 de junho na convenção do partido. A primeira fase de consulta pública culminou na incorporação de 980 sugestões dos internautas. A segunda versão foi consolidada em 25 de julho. Entre os adendos às metas, a candidata incluiu propostas na área de turismo e eventos esportivos (Jogos Olímpicos e Copa do Mundo), aprofundou propostas em educação e cultura e enfatizou o compromisso da campanha com a área de segurança. "Essa é uma demanda legítima da sociedade", afirmou Marina.
A base do plano de governo é a educação integral e a criação de um sistema nacional de educação, com a criação de cursos técnicos com foco para economia verde. A coordenadora do programa de educação, Neca Setubal, disse que a ideia não é reduzir o Ensino Médio ao Ensino Técnico, mas criar oportunidades de aprimoramento voltados ao mercado verde. A campanha do PV rechaça a criação de metas de abertura de vagas na rede pública. "Isso é absolutamente cair no vazio", disse Neca. "Temos de pensar o ensino técnico de uma forma que responda aos desafios de uma economia verde", complementou.
Marina falou de propostas que vão desde a criação de uma inspetoria nacional de direitos humanos ao cadastro único dos programas sociais. Segundo a candidata, a ideia não é acabar com o programa Bolsa Família, mas criar uma terceira geração de programas sociais. "Vamos manter as conquistas, corrigir os erros e enfrentar os novos desafios", disse Marina.
No âmbito econômico, Marina Silva defendeu a contenção do aumento anual dos gastos correntes a uma taxa equivalente a metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ela prega também a redução do nível de endividamento do setor público e a profissionalização da máquina do Estado. Os coordenadores da campanha do PV argumentam que o corte de gastos é uma meta da candidata, mas que não dá para dizer como este corte se dará. "Não podemos ter uma base (de apoio ao governo) constituída de fisiologismo. Temos de ter um olhar para a profissionalização do Estado", disse. A presidenciável defendeu ainda a manutenção da estrutura atual de sustentação da política macroeconômica, formada pelo tripé: metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante.
Entre as propostas, estão a implementação da reforma tributária, a transparência de gastos e a justiça tributária. "Nos comprometemos de antemão a não aumentar a carga de tributos", garantiu. De acordo com Marina, o plano de governo consolidado ainda não existe, uma vez que a campanha começou oficialmente há menos de um mês. "Mas as estratégias estão basicamente colocadas", disse. Para aprofundar as propostas, a equipe espera contar com informações específicas do orçamento federal.